Lady D'Arbanville

"On joue le vrai jeu... Quand on n'a plus rien à perdre."

19.7.06

Vale quanto pesa

O restaurante por quilo é a Lei de Lavosier aplicada à culinária. Tudo se transforma: o bife de hoje é o picadinho de amanhã e o recheio do pastel depois de amanhã. A verdura que sobra sempre vira salada, sopa ou acompanhamento de algum virado à moda. É preciso fingir não conhecer esses detalhes mórbidos. Ou então trazer o almoço de casa (sim, eu já fiz isso).

Já encarei quilos caríssimos. Daqueles que se vangloriam de ter carne de jacaré e salmão de verdade na área de churrasco. Quando trabalhava no Bunker, ia num restaurante que era freqüentado pelo pessoal no fim da cadeia alimentar da W/Brasil (posto que os top shots vão no Fasano ou equivalente). A comida era ótima, vou conceder o ponto, mas o lugar não era pro meu bico. E como eu tenho esse defeito de aparecer em lugares que não são obviamente pro meu bico com freqüência, eu acabava indo almoçar lá quase sempre. Pobre da minha conta bancária.

Por outro lado, já encarei coisas horripilantes. Lugares onde, se a comida não se mexe no prato, é bom sinal. Restaurantes onde você tem certeza que passaram o café na meia velha do dono, para dizer o mínimo. Antes isso do que desmaiar de fome, você pensa olhando para o bufê. Se bem que você pensa em seguida que se os ascetas conseguem, por que não você?

Atualmente, almoço num quilo comandado por uma família de japoneses e freqüentado pela colônia. A dona diz que eu sou a única não-nipônica que come de tudo e nunca pergunta o que tem na mistura. Melhor não saber, dona. É melhor eu não saber.

1 Comments:

Blogger Oswaldo Akamine said...

Olá, de volta!

Eu sempre achei que a palavra "mistura" era horrível para designar comida!

25/7/06 12:21  

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